Mais famílias com dificuldade para cobrir despesas sociais

Para os mais pessimistas deste grupo, a crise vai durar mais de três anos, pelo que já começaram a adaptar o seu comportamento de compra. Neste sentido, os mesmos consumidores já levam almoço para o trabalho, mudaram a loja onde habitualmente faziam compras para procurar melhores preços e passaram a comprar outras marcas.
O peso dos supermercados Lidl e Minipreço tem-se tornado cada vez maior para os consumidores mais preocupados, tendo vindo a aumentar as compras de fruta, carnes e cereais, deixando os pequenos prazeres fora da cesta básica de alimentação. A preocupação com a crise abrange particularmente as famílias com mais de 4 pessoas, as pessoas entre os 35 e os 49 anos e os que têm um rendimento muito abaixo da média.
Contudo, não só as pessoas com rendimentos mais baixos são as mais comedidas, já que a preocupação começa a alastrar à classe média, mudando esta também os seus hábitos de compras. Aos aumentos sucessivos do preço dos combustíveis tem-se seguido uma retracção no volume do abastecimento. A classe média reduziu o volume médio por abastecimento em quase 8% em comparação com o ano passado. Do mesmo modo, 61% do volume do mercado são feitos com descontos, promoções ou nos híperes, resultado da fuga do consumidor aos preços de referência. Assim, as ofertas “low cost” dos hipermercados já obtêm uma quota de 31,5% em volume. Já o abastecimento particular em Espanha representa 4,6% do volume total nacional.
Nos países mais afectados pela crise, como Portugal, Grécia, Espanha, Irlanda e Espanha, a quota dedicada à marca de distribuição tem aumentado e há mais refeições dentro do lar, assim como um peso maior da alimentação nas compras. A diferença: em Portugal compra-se o mesmo, gasta-se menos por cada acto de compra e vai-se mais vezes ao supermercado.
No estudo conclui-se ainda que é cedo para inferir quais as consequências das recentes medidas do Orçamento do Estado para 2012, mas o aumento do IVA no chamado grande consumo pode representar, em média, um acréscimo de até 17 euros anuais por lar.